terça-feira, 11 de julho de 2017

Agarra-se ao que sobrar

Por cada pessoa querida que vai, a gente se sente mais sozinho.

A morte não dá espaço para acostumar-se. Ou a pessoa está viva ou não está. 
E de repente ordena-lhe: acostume-se sem ela!
Não te tira um toque... Depois um sorriso... Depois um olhar...
Te tira tudo de uma vez.
Hoje "ela é", amanhã "ela era". 
E sobra você, com aquela cara de dúvida, sensação de fracasso; e o olhar tentando modificar a aceitação dos fatos. 
A gente luta em mudar o olhar, porque a morte a gente não muda. 

Da vida, essa sucessão de "retiradas", pouca coisa fica. 
Te tiram tudo o que você achou que ficaria. E a gente segue errando ao pensar que o que chegou "agora fica".
Não fica!
Um dia vai também.
Nessa troca inconstante resta amor.
Um amor mutável e insistente, que a gente fica nutrindo por aí... Por esse universo aleatório...
Amor que pula de canto em canto, procurando expandir e compensar um monte de outras coisas.

Então, cultivemos amor e tudo mais que traz bem.
Repassa o que há de bom; antes que te tirem isso também. 
E te tirem também a vida. 
Tudo vai. O amor fica. 
Sem dono, só com destinatário, mas fica. 
Só por hoje, seja amor! Porque hoje "a gente é". Amanhã... "a gente era".