domingo, 9 de julho de 2017

Carta à sua luz IV

Ei Lua,
Que dor! Encontro-me agora tão órfã de amor que não reconheço.
Mal entendo o mundo e esqueço, a cada segundo o meu próprio endereço. Não sei mais ficar. Não sou mais eu mesma. Estou transformando. 
Sigo assustada. E agora, acuada, vou aquietando. 
Não reconheço paz em mim.
Parece-me um fim que está começando. 

Não quero mudar! Aprendi a amar numa batalha de flores. Flores dum jardim sobrado que agora, abandonado, só semeia dores.
O sol não voltou. Calor não convém.  
Faz-se noite em mim também.

Aprendi com ela, que pintou em mim essa tela de saudade. Tenho medo, mãe lua, de perder outra mãe por agora.
Acredite ou não, hoje sinto-me ruim. 
Não era assim...
Mas amor, em mim, tornou-se raridade. 
Não existo mais nessa dimensão. Enlouqueço ou reconheço os próprios traços de maldade. 

Talvez ela tenha levado minh'alma por engano. 
Levado minhas vontades e tudo mais que amo. 

Logo mais minha luz também some...
Agradeço a atenção.
Sua filha, com amor, só no sobrenome.