segunda-feira, 10 de julho de 2017

Força

Com o coração totalmente remendado a gente segue tentando ser forte.
Não sei ser forte.
O que tenho em mim é ferimento por toda parte.
Força não é o nome dado a um museu de cicatrizes que ainda sangram conforme a respiração se altera.
Força deve ser algo entre o desespero e a letargia, que faz a gente caminhar.
A gente fica podre por dentro e todo mundo aplaude.
Como uma lepra emocional, as pessoas vão admirando e registrando aquela obra psicodélica que é tentar continuar vivendo. Mais aplausos!
"Que mérito! Você é forte!"
Mérito esse que ninguém quer. E todos têm.
Talvez seja apenas questão de piedade dizer a alguém que sofre que seguir em frente é sinônimo de força.
Todos seguem. 
Rotulam com um nome bonito: força.
Um nome bonito para algo indecifrável que a gente mal sabe se existe.
Quando seguimos a vida, é força. 
Quando não conseguimos parar de respirar por uma mera condição biológica, é força.
Tudo que envolve a vida, envolve a amaldiçoada força. 
É dádiva necessária!
Dádiva maldita que ninguém quer precisar. 
Talvez alguns sejam fortes mesmo.
Eu não.