terça-feira, 11 de julho de 2017

Sobre a madrugada...

Gostaria de pedir perdão, publicamente, a mim mesma, por ter ficado tantos anos sem ver as estrelas.
Hoje é uma daquelas noites em que o medo impera. Medo do futuro, da fraqueza, do esgotamento, da incapacidade...
Bom, é noite né! Noites, para mim, têm sido assim: uma guerra constante entre o caos e o sono, em que se luta para que o tempo passe, para que o dia chegue, para que o céu fique claro, para que a vida fique clara...
Mas a de hoje, em especial, seguia sufocante. 
Sufocante no sentido literal. Precisei tomar um ar. 
Fui pra janela, aos prantos (...quem nunca chorou que atire a primeira pedra) e com a garganta dolorida.
Primeiro olhei pra rua. Vazia. Tantos andares de queda. Bobagem.
Mais acima estavam os prédios mais altos e a eterna pergunta que volta no auge da insatisfação cotidiana: "Será que lá, dentro daquelas janelas, estão sendo felizes?".
Em seguida fiz o que deveria ter feito há tempo. Olhei para o céu.
Nesse minuto a menininha que mora em mim reapareceu, com aquele mesmo jeitinho de quem ama a lua. 
Senti-me envergonhada por não estar honrando frequentemente meu mais doce passatempo de infância: ver as estrelas.
E aquelas estrelas sussurravam coisas boas, que cresci ouvindo, da janela do quarto de minha avó.
Ela me colocava sentada na beirada da janela, toda noite, e dizia coisas boas. Histórias, valores, lembranças, coisas sobre a vida...
As vezes que chorei repetindo que não queria viver em um mundo em que ela não estivesse, ela me encorajou. Me disse que as estrelas observavam, serenas. E que eu nunca estaria sozinha pois aquela obra de arte seguiria comigo. Cada vez que eu olhasse aqueles pontinhos, eu me lembraria de tudo o que realmente importa.
Eu pude jurar que os sussurros das estrelas, em conjunto, hoje soaram no timbre dela, rouco e confortante. 
Cada pontinho de luz emanou um conselho amável nessa noite. 
Por isso peço desculpas à menininha que mora em mim, pela falta de estrelas na alma.
Não quero mais que a noite passe...
O medo passou. A saudade venceu. As estrelas ficaram. 
Eu ainda não sei viver sem ela e sem sua voz rouca.
Não sei se um dia saberei.
Não sei nem ao menos viver.
Mas ainda sei olhar as estrelas...