domingo, 9 de julho de 2017

Três meses de saudade...

Viver tem sido esse looping torturante  ao lembrar, a cada segundo, que você não está mais aqui.
Dói assustar-me diariamente com essa ficha que pinga e volta, mas não cai. Sinto que recebo a pior notícia da minha vida todos os dias. 
Todos os dias.
Todos os dias me pego pensando em te contar algo, em pedir sua ajuda ou sua opinião. Me pego sonhando em te ver presente nos momentos que ainda não tive; momentos que nem são precisamente vontades minhas, mas que gostaria de viver para guardar na memória o simbolismo de te ter lá... Como um casamento, uma grande estreia ou o lançamento de um livro...
Às vezes acho que "vontades minhas" não existem mais. 
Meu anseio resume-se a sair dessa roleta russa de saudade em que, volta e meia, executa-se a minha vontade de viver. 

Nunca havia passado um luto tão próximo. 

E tenho dito, aos que me perguntam, que perder alguém é uma experiência transformadora. É como se pegassem tudo o que mais te importa no mundo e pintassem de branco. De uma hora para a outra você tem que pegar aquela tela vazia e aprender a olhá-la com um olhar diferente. Saber perder é uma arte.
E perder demais nos ensina a superar as perdas. Mas enfatiza a dúvida constante de "O que mais vão me tirar agora?"
Agora, numa trilha grande de insegurança, sinto que posso perder quase tudo. Porque meu "quase tudo" eu já perdi, afinal.
Mas enfim; essa tela em branco não representa paz, mas superação. 
Como enfrentar? 
Tento vê-la com outros olhos, hoje em dia.
Os olhos da alma. Que sentem, lembram, tentam reproduzir tudo o que me ensinou e me ensina ainda. 

Pois bem... Acho que luto talvez seja mesmo essa coisa estranha que transforma desabafos breves em textos longos...
Tenho tentado organizar as ideias com voracidade mas você não está aqui pra ler.

Minha mente não acompanha a saudade e provavelmente ainda vai botar muita coisa pra fora. Espero que me entendam e me acolham nesse mundo sem você. 
Como você mesma dizia: "Siga meus conselhos, filha, pois o mundo não vai te ensinar com tanto carinho..."
Não ensina mesmo. 
O mundo ensina com a violência de um pesadelo em looping; e ter amigos é um privilégio no qual ainda posso me incluir. 

Mas apesar de tudo não sinto que te perdi completamente. Sinto você aqui, presente em tantas coisas, e não posso vê-la, isso me desespera! Talvez essa seja a lição mais difícil que você esteja tentando me ensinar. Mas professora, você ainda é a melhor!