quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Poema descritivo

Capitu nos olhares...
Amélia no lar...
Madalena no samba...
Rita na separação...
Pagú no palanque...
Afrodite nos sentimentos...
Maria nos sonhos...
O'hara na honra...
Olga na história...
Mas apenas Malu, no cotidiano.
[Futura mulher de deputado]

Tempo que leva...

Arranca as crenças, a beleza, os sorrisos, o brilho, o juízo, a lucidez e a admiração, só não arranca a lembrança porque disso já não é capaz...
Da moça linda em seus 25... anos e do sorriso enorme que, comprado ou não, era minha fonte de admiração.
Da segunda mãe que, elegante como só ela e Grace Kelly, eu aguardei tantas vezes com meu saquinho de pipocas na porta do colégio noturno.
Da doçura exemplar que, empenhada em não errar, mostrou-se grande amante dos sonhos.
Do velho boêmio que, sempre velho devido ao grau de conhecimento, apresentou-me o mundo.
Do tal grande brincalhão que levantava-me do chão e me jogava às estrelas sorrindo.
Do, talvez único, "pai" de minha vida, que classificaríamos como um "anjo-sem-asas" (caso os anjos não tivessem defeitos) que exibia o sorriso mais sincero para o mundo.
Dessas figuras ou das demais nas quais ainda não ousara mexer, não me arranca a lembrança; porque disso já não é capaz.
E se assim insistir e eu um dia já não me lembrar, já não hei de querer nem a mim mesma ser mais.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pontinhos no céu




 
Aos 4, estrelinhas confusas
Que, lá no céu, tão difusas
Só têm a função de brilhar...

Aos 6, são estrelas dançantes
Que mesmo assim, tão brilhantes
Não esquecem de flutuar...

Aos 8, estrelas da imaginação
Um vagalume, ou balão
Que nos inspira a criar...

Aos 10, já confundem as estrelas
Acabam-se as brincadeiras
Se põe enfim a questionar...

Aos 12, estrelinhas solares
Descritas em tantos lugares
E em tantas páginas a explicar...

Catorze. São entes queridos
Que saudosos dos tempos vividos
Pelas estrelas se põe a olhar...

Dezesseis. Não são mais pinguinhos
E quem liga pros tais pontinhos
Que ainda insistem em brilhar?

Dezoito. Apaga-se o "antes"
E o céu de diamantes
Parece nem mesmo estar lá...

E aos 20, em algum segundo
Resta a lembrança do mundo
Em que estrelinhas eram gotas de luar.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A insignificante ruazinha;

Aqui um poema saudosista, que fiz durante minhas últimas (e longas) férias na - agora - tão amada terrinha natal...



O barulho da rua
Tão perto da serra fria
Longe, de dar agonia
Focado na luz da lua;

Cães ou monstros folclóricos...
Os ruídos dos caminhões...
São heróis em perseguições
Ou somente homens simplórios?

Na minha rua singela
Só há silencio e paz
E todo som que a noite faz
Parece já longe dela

Aqui não há personagem,
Não há crime ou novidade
A mais inútil da cidade
Sem nem história de passagem

E ela então, silenciosa
É minha rua de brilhantes,
E sem crimes, nem amantes
Fica sempre ali, saudosa

Sem data marcante a cumprir
Sem o aval da sociedade
É pra mim a melhor da cidade
Rua essa em que eu nasci.

domingo, 12 de agosto de 2012

mais um dia dos aquilo-lá-que-eu-deveria-chamar-de-pai

A cada ano minhas mensagens de "Dia dos Pais" ficam mais agressivas, também pudera... cada ano contém 365 dias de rejeição e resulta em algo que eu realmente gostaria de não apresentar a vocês, mas vou.
Pai, resultado de sua ausência ou não, o fato é que o tempo cria monstros, ressentimentos, amargura e consequências. Mesmo não havendo 0,05% de possibilidade de você ler, acho que um texto de desabafo é o mínimo que posso pedir como recompensa por ser tratada injustamente como uma "pequena burguesinha arrogante", como você mesmo me intitulou no tempo em que eu ainda era pequena demais até mesmo para pronunciar a palavra "papai". Como pode uma criança de 2 anos, um ser movido apenas por inocência, ser arrogante? O que faz um bebê ser merecedor do desprezo de um pai? Sendo assim, acho que serei eternamente 'pequena demais' para saber o significado da palavra "papai".

Fui bem criada pelos meus parentes "metidos", que se desdobraram para tapar o buraco que sua implicância sem motivos causou. E eles fizeram um bom trabalho!!!
Meus avós romperam com a visão conservadora na qual viviam e aceitaram minha mãe adolescente com uma criança rejeitada nos braços, mesmo tendo sido por muito tempo mal vistos pela sociedade e perdendo um pouco do contato social. Avós esses que, "arrogantes" e "burgueses", fizeram o SEU trabalho, que sua covardia o impediu de fazer.
Vejo em meu avô um paizão melhor do que eu poderia imaginar... e ainda tem meus tios de sangue, os "playboyzinhos estudados" que talvez tenham aprendido na faculdade o significado da palavra compaixão!
Tenho um padrasto que ganha os seus abraços de Dia dos Pais. E tenho também um tio-avô incrível que, lá do Rio de Janeiro, conseguiu ter mais presença na minha vida do que você, meu biológico, até porque ele seria incapaz de atravessar a rua para não ter que falar comigo. Nenhum deles jamais me recusou um "oi".

Não tenho filhos ainda, mas imagino o quão desprezível tenha que ser uma relação para evitar olhar em um rosto criado por você mesmo.
Não estou querendo cobrar nada, até porque sei que, se já me rejeitou um "oi", não conseguiria jamais me dar um telefonema... só quero que saiba (e que TODOS saibam) que dói sim, porra!
Mesmo com todo amor que recebo dos demais, com o costume que adquiri de não falar em você e com esta 'couraça defensiva' que vesti dizendo "hahaha foda-se o meu pai!"... Foda-se nada! Pode até soar humilhante, mas dói sim, eu confesso!
Já me senti um lixo por imaginar o quanto eu devo ser desprezível para ser a única filha rejeitada. Eu queria ter a oportunidade de conhecer meus irmãos, porque eles sim devem ser crianças incríveis para até você aceitá-los. E, por favor, se algum dia por algum motivo sentir ódio da mãe deles, não misture as coisas!... São crianças e não entendem ou nada tem a ver com os problemas de vocês. Como eu era... e ainda não entendo.
Já cheguei a pensar que me odeia por eu ter nascido menina, mas sabe pai... Eu poderia escolher nascer menino mil vezes se isso fosse sinônimo de aceitação.
Eu me lembro de sua figura da maneira que consigo e me incomodo com ela todos os dias, já você não deve nem ao menos ter a curiosidade de saber se ainda estou viva, se estou usando drogas ou engravidando de um cara qualquer que não vá assumir o filho.

Espero realmente que, pelo menos no Dia dos Pais, lembre-se que deu vida a 4 crianças e não 3. E espero que finalmente tenha aprendido o significado da palavra "criança", para não machucar mais nenhuma. Que tenha aprendido que para uma criança engolir as mágoas é muito mais difícil do que para um adulto inconsequente engolir o orgulho... E eu engoli, as mágoas e o orgulho, várias vezes, caso você não tenha percebido... Como no Dia dos Pais em que eu decidi (mesmo estando tanto tempo afastados) te dar um presente e liguei para minha avó avisando que iria lá. E qual não foi a minha surpresa ao chegar e saber que você tinha ido embora correndo minutos depois do meu telefonema. A camiseta que comprei ficou jogada num armário aqui em casa por meses, junto com um montão de sentimentos bons que você também não quis.

Não posso dizer que você como pai nunca me deu nada, pois foi graças a você que adquiri minha característica da qual mais me orgulho, que é essa minha couraça protetora baseada em ressentimentos. Ganhei também uma personalidade amarga, difícil de quebrar, mas que estou destruindo aos poucos com o apoio de muita gente que me mostra dia após dia que o amor existe sim!, entre eles um menino bom que pretende se casar comigo e te dar netos dos quais certamente você também não irá querer proximidade.
Um vez alguém me disse que você talvez sentisse algo por mim e que talvez até me procurasse. Uma de minhas tias, irmã sua, disse até mesmo que você havia pedido meu número de celular. As operadoras já foram até processadas e você ainda não me ligou.
Mas, sinceramente? Acho que vou esperar para sempre esse telefonema, cada vez mais desiludida, mas vou.
Se existe mesmo algum sentimento fraternal por mim, peço que leve todo esse meu ressentimento por bem. E não espere tempo demais até que eu me torne indiferente, pois enquanto houver alguma revolta certamente haverá a vontade de falar com você, nem que seja só aquele "oi" negado há tantos anos.

Enfim, desabafo de uma jovem tão desprezível certamente não tem valor algum.
Só digo que você não deveria me odiar, não sou minha mãe e pior: aceitando ou não, em parte sou você também...
Se a intenção fazendo tudo isso era machucar a minha mãe, parabéns, você fez um bom trabalho machucando muito a principal parte dela, que sou eu.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Moça enfim

(2008)  Boneca, (2010) Uma década, (2012) Seu mel .... Todos destinados à minha prima/irmã Maitê, e agora...

Moça enfim

Chegaram os doze e foi tão depressa
E seu "quê" de adulto começa a aflorar
Pois bem enfim, a vida começa
Quase já não há o que desabrochar

O batom não é mais o seu giz de cera
Pintar-se é sério, e anda arrumada
Tirando os ursinhos da prateleira
Disfarça os trejeitos de enamorada

O olhar de criança ainda mantém
Mas minha boneca não é mais brinquedo
Não mais a protejo, pois não mais convém
Não pede ajuda e nem sente mais medo

Não posso apertá-la e chamá-la de filha
Nem posso brincar de ser protetora
Se ela sozinha já sabe que brilha
E o faz da forma mais encantadora

Gosto da moça que surgiu de repente
Que no asfalto da vida ainda doce caminha
Mas numa caixinha no fundo da mente
Mantenho a imagem da tal bonequinha

domingo, 15 de abril de 2012

nação e estádio

Se é nação ou "time"
Deixem o sublime
Tornar tradição;
Deixem a nação
ser mais que esporte
Deixem a sorte
Vir da emoção.
Deixem o alvinegro
Seguir seu enredo,
E a confiança
Apagar o medo
Que desde criança
Sustentei de perder.
Deixem os gritos
Domingos marcantes
Que todos, aflitos,
Porém confiantes
Tornavam mania
Imitar narração.
Deixem ser time
Motivo de vida
E admirarem
A torcida querida
Mas deixem, acima
Ser nossa paixão.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

por amor...


Por todas as campainhas tocadas e ansiedade que tenho cada vez que você chega; por todos os filmes com pipoca ou salgadinhos-porcaria que você insiste em me fazer amar; por todas as vezes que cuidou de mim ou me deixou cuidar de você, fisicamente e emocionalmente; por todos os mimos explicitos que, apesar de discretos, as pessoas tendem a ter implicância; por todo o esforço que faz para sempre satisfazer meus caprichos; por todas as respostas atravessadas que deu aos outros por mim, e por seu instinto de defesa; por todos os joguinhos de computador que você me assistiu enrolar para nunca ser derrotada; por todas as mil maneiras que cria para me fazer dormir; por todas as conversas que tanto me acalmam, os planos que tanto me empolgam, as gracinhas que me cativam e os amigos que, por tabela, me deu. Por todo esse mundo novo que me oferece a cada dia nesse olhar sincero, que reflete nossa futura história juntos. Por todos os abraços, beijos, mensagens, momentos, festividades, viagens e dias que me deu a honra de ter. Pela nossa trajetória que já parece tão longa apesar de estarmos apenas no começo, pelos presentes, pelas surpresas, pelos filmes de terror, noites que me fez dormir, manhãs em que te vi acordar, horas no telefone, pelo GTA, Age, Roller Coaster, pipoca com queijinho, yakissoba de domingo, pizzas de sábado a noite, lanches no centro, domingos no Brahma, massagens após Playcenter, recadinhos na geladeira, e quintas na Kitsch, comecinho de nossa história. Pela paciência e respeito que sempre teve comigo. Pelos nossos quase 2 anos. Por isso e muito mais, obrigada meu menininho! Parabéns! Amo você!!!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Poema do amor sem fim

Você fala dela
E eu de você

E ele de mim
E ela tão dele que já não sei mais

E olhando pra ele
A dor é tão grande
Que julgo o melhor
Ser amar o de trás.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Seu mel

À minha priminha, continuação dos poemas Boneca (2008) e Uma década (2010).

Agora, com onze, ja sabe as maldades
Que seres sem luz insistem em ter
E lágrimas correm pela mocidade
Que precocemente a faz sofrer

Criança mais moça do parque do mundo
Conhece o mal já na teoria
Que um escudo de paz, a cada segundo
Não deixe que lhe apresentem tal apatia

Se nas cores da vida seu vermelho desponta
Que nunca desbote, pois és tão linda
O mundo agora finalmente a apronta
Por cada momento, ida e vinda

Ao transformares o açúcar que tens em mel
Podes perder toda a esperança
Mas com os olhos no mundo e coração no céu
Conserve sempre o olhar de criança.

domingo, 8 de janeiro de 2012

E o mestre monroe...

Quem disse que eu não sei todas as fofocas do cinema clássico?...

Scarlett, menina doce
Que o'hara a fama de má
E que honra!

Certa vez eu leigh que é o pseudônimo de Vivien
Li tantas outras coisas das quais não me gable
E mesmo que me garbasse, Greta não permitiria...
Ela davis tal silêncio à Bette
Mas muito embora loren, Sophia vai contar...

Avá que a esposa de Sinatra não era tão frank
Que o Donald é o'connor do momento todos já sabem... 

Francamente me poppins, nem a Mary cai mais nessa!
Andrews, Julie! Diga a verdade!
A Grace kelly ouvir

Fume um charisse com a Cyd e descubra mais segredos
Não temos mais temple pra fingir que a Shirley é santa,
Astaire que tu me contes, estarei com Fred
Quero taylor por perto, antes que Elizabeth chegue!

Nas dietrichs da vida quem é Marlene segue o fluxo,
Na terra de Havilland, Olivia não é Newton-John,
Nesse Reynolds, quem governa é mesmo a Debbie;
Ela não é nenhum Gene, mas também sabe sapatear.
Seja crawford a fofoca, a Joan vai divulgar!

Leslie fica hayworths de mim, e isso me i Rita.
Vai sair caron pra ela, mas já disse...
Não me garland de minhas maldades!
E mesmo que me gabasse, Greta não permitiria...
Agora repita tudo deneuve, porque a Catherine mandou.

Scarlett O'hara, Vivien Leigh, Clark Gable, Greta Garbo, Bette Davis, Sophia Loren, Ava Gardner, Frank Sinatra, Donald O'Connor, Mary Poppins, Julie Andrews, Grace Kelly, Joan Crawford, Cyd Charisse, Shirley Temple, Fred Astaire, Elizabeth Taylor, Marlene Dietrich, Olivia de Havilland/ Olivia Newton-John, Debbie Reynolds, Gene Kelly, Leslie Caron, Rita Hayworth, Judy Garland, Catherine Deneuve.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Poema de meio segundo

Eis aqui um "poema de meio segundo", mais improvisado que viver, não tão belo quanto as palavras da dor. Mas se no papel não é algo tão lindo, acreditem se puderem, na vida é esplendoroso. Lá vai...

Incrível é não ter que se esforçar para conquistar
E aceitar as conquistas que já estão no caminho
Entender que para ser amado é preciso amar
E ser-humano nenhum é capaz de ser sozinho

Qual o problema em termos um grande problema
Se cada um acredita ser seu o maior que existe
Se todos estão vivendo, é porque a vida é plena
E a cobiçada piedade, não passa de algo triste

A dor é quem forma as rimas dos poemas mais belos
Na escrita de um nostálgico o amor não dura um segundo

Mas nem a literatura e os versos mais singelos
Exprimem a alegria de estar enfim bem com o mundo.