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Labirintos

Abriram a memória de minha mãe.  Num quarto branco imenso, eu estava sozinha. Um sopro de silêncio que corta a tarde abafada mostrou na memória rasa: a filha triste — trancada.  Depois as lembranças fluíram num corredor vazio. Tudo estreito e consternado, com luzes que gritam em dor. Não havia mais vínculo naquele contexto frio. E as portas, sombrias de medo, silenciavam sem cor. Revirei os cantos do tempo até chegar ao externo. Lá fora: o mundo, brilhante num sol de verão,  não via os olhares de dentro, onde tudo era inverno. Sorriam no jardim bonito: o medo e a adoração.  Ainda dentro, a cozinha — laranja, antiga, voraz: devorava paredes, marcadas pelo momento. Cada canto esvaziado que a história me traz alimenta-se da vida, da saudade e do tempo.  Me perdi entre os quartos do labirinto constante que é ter uma mãe de ausências — que dorme na solidão. Sem abrir portas e frestas mas, nas lembranças de antes,  Descansei o choro intenso num resquício de oraçã...

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