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Novo diário

Vou começar a arrastar minhas dores para cá. Talvez seja uma das ilusões mais bonitas nas quais acreditamos: essa coisa de compartilhamento de dor. Acho que tenho sangrado tanto nesses meses que qualquer plataforma me cabe como um paliativo. Quando eu era pequena, eu escrevia diários, como se fossem cadernos de despejo. Minha avó me ensinou que o ato de escrever tem potência de cura. Já contei sobre isso em diversos desabafos textuais. Ela dizia que quem lê nunca está sozinho. Parafraseando, acho que quem escreve nunca se engasga nas próprias dores. Lidar com a solidão, com as faltas e com os próprios erros parece ser mais leve quando a gente torna a vida algo capaz de ser narrado sob outro olhar, mesmo que seja o de nós mesmos. Estou entrando numa fase em que perdi quase todo mundo que eu amava. De 80% a 90%, eu diria. Me sinto cansada para aprender a amar novas pessoas. Assim, buscar a mim mesma é um de meus últimos recursos. Quero ainda me amar entre os versos de quem já fui. Espero...

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