Saudade, dor pungente
"A saudade é dor pungente", como cantava minha avó, Myrian. Já são 9 anos sem ela e, às vezes, eu descanso na doce ilusão de que sei lidar com essa saudade pungente, que assombra feito fantasma antigo. Ouço sua voz na gravação. Descanso em seu colo, que hoje existe dentro de mim. Sinto seu cheiro, que eu saberia identificar mesmo que se passassem milhões de anos. E tudo isso são elementos que vagueiam pelo tempo, sem mais concretude. A falta que você faz hoje dança com a falta do vovô. É como se essas duas faltas arrastassem os pés cansados pelo salão, num mundo frio demais de viver. Quando eu vejo essas faltas dançando, eu lembro da sorte que eu tive, de poder ter ouvido de perto as músicas mais bonitas que já passaram no mundo. Entre elas, seus conselhos. A saudade é - de fato - o azar de quem um dia teve muita sorte. Esses dias, eu contei aos meus tios o quanto foi sábia a sua presença em minha vida, a ponto de reverberar, até hoje, em minhas caminhadas. Existem cas...