quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Taubaté


Por tanto tempo em lembrança abandonada
Permanece eternizada em seus bons tempos de glória
É lugar onde inicia-se minha longa caminhada
E assim onde vivi o saudoso início de minha história

Vila de sonhos em um vale emoldurado
Próxima a um rio de lendas e saudades
Personagens ilustres marcam o seu passado
Não é o paraíso, nem mais bela das cidades

E foi-se assim o bom tempo de ser pólo industrial
Com a CTI histórica, nem por turista há procura
Cresce tanto, e tão longe ainda de ser capital
Se perde no título de cidade da literatura

Um baú de sonhos antigos onde deixei minha inocência
Sobre memórias, bandeirantes e grandes barões de café
Pois às lembranças intocadas não existe decadência
Do lugar onde nasci, minha terra, Taubaté.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Na rotina da falta de rotina...

Foi há poucos minutos o nosso terceiro aniversário de namoro que eu, desorganizada emocionalmente como sou, não consegui destacar dos demais dias que passamos juntos; talvez nem precise, já que a minha "rotina" com você é uma explosão contínua de sentimentos bons. Bons como poder descobrir a cada dia seus costumes e sua irritante falta de defeitos, que me faz volta e meia achar que fui presenteada mais do que deveria. Sentimentos bons como a sensação de poder adivinhar suas atitudes e afirmar "Viram? Eu conheço ele como ninguém!", e ao mesmo tempo me encanta a sua capacidade de todos os dias me agradar ainda mais que no dia anterior quando eu poderia afirmar que mais carinho seria impossível!!
Foi há poucos dias que eu voltei de uma visita à minha família e te reencontrei, com esse olhar sempre mais lindo e sincero do que antes. E esses dias que passamos juntos infelizmente sempre voam, como tudo que é bom...
Foi há poucos meses que me formei na faculdade e você estava lá, me fotografando com meus amigos e me vendo receber o diploma. E há mais meses ainda foi a minha primeira estreia profissional, e nem mesmo se o Papa estivesse na plateia eu prestaria tanta atenção quanto prestei naquela lateral esquerda do teatro, em que vi sentado o meu companheiro, cuja opinião sempre vai importar mais do que a da diretora.
E foi exatamente há três anos que eu aprendi a amar o mundo. Exatamente naquele dia em que, no carro, da maneira menos convencional possível você me propôs a proposta irrecusável de ser feliz pra sempre ao seu lado. E eu que sempre odiei contos de fadas, fui jogada em meio a um "felizes para sempre" que levou (quase) toda minha amargura.
Há três anos você me deu a minha vida! E eu escolhi compartilhar o resto dela com você.
Obrigada por tudo meu Danielzinho...




domingo, 20 de outubro de 2013

A despedida da árvore

Aconteceu algo ruim essa semana. Não ruim a ponto de mobilizar muita gente mas, é certo medir o tamanho da dor? Seguem os textos meu e da Maitê, minha prima, em homenagem a uma grande personagem que esteve lá durante nossos primeiros passinhos...

"Ê, amiguinha... Você esteve presente em tantos momentos da minha vida, da vida da minha família.
Sim, eu estou falando desta árvore ENORME que está na foto! Mas que apesar de ser uma árvore, alegrava meus dias só de olhar para ela.
Infelizmente, ontem chegou a hora dela, que depois de mais de 100 anos em pé, caiu. Mas eu sempre me lembrarei de chegar na casa da minha avó, olhar para ela e para o "tapete" amarelo que ela fazia, e sorrir.
 Maitê."

"Acho que agora posso me classificar como o tipo de pessoa que chora quando cai uma árvore... Essa foto fui eu que tirei numa tarde qualquer, fiz um poema pra ela, subi inúmeras vezes e tomei vários tombos saudosos. E nenhum desses tombos doeram tanto quanto ver esse símbolo ir embora. Minha prima Maitê Paixão me avisou, com um lindo texto de homenagem, que essa árvore que fica na frente da casa da minha avó (lugar em que fui criada) caiu essa semana. Pode parecer bobeira, mas me dói saber que o lindo tapete de florzinhas amarelas nunca mais vai nos visitar na primavera.... Mas as lembranças dos primeiros anos de minha vida, aprendendo a andar sobre ele, guardarei sempre em meu coração. Fica o lindo retrato que guardo com tanto carinho e a mais sincera saudade, "arvorezinha" de minha infância!
Malu."

E realmente, ela não passou despercebida. E as lembranças que deixa afagam meu coração.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Boa noite, Sr. Monstro!

Se há algum monstro ainda no mundo
Peço que se esconda em meu armário
No canto mais obscuro e profundo
Talvez ao lado de meu antigo diário

E me observando à noite, que não se enerve
Com a minha calma, ou forma de mulher
Qualquer ruído estranho ainda me serve
Pra fazer valer qualquer lembrança que vier

Insista Sr. Monstro em me fazer criança
Irei me esforçar para sentir o mesmo medo
E de todo esse esforço resgato a esperança
De quem sabe encontrares um antigo brinquedo

Vasculhe o armário Sr. Monstro, por mim!
Podes comer as meias e quebrar meus sapatos
Mas quando encontrares uma relíquia enfim
Peço que detalhe a mim seus relatos

Vais achar, de repente, um batom bem vermelho
E esse não será de minha mãe certamente
Posso abrir mão até mesmo do espelho
Se atormentares, só essa noite, a minha mente

Veja se encontras a boneca "Lili"
Veste um lindo chapéu e dois aventais
Fique à vontade o senhor por aqui
E não ligue pros meus anticoncepcionais

Confesso que não sou mais tão inocente
Sua careta até me parece engraçada
Mas Sr Monstro, encontro-me carente
A infância passou e não sinto mais nada

Converse comigo sobre sua maldade
Pra que eu possa esquecer um pouquinho do mundo
O Sr não pratica desigualdade?
Claro que não, esse mal seria por demais profundo.

Nem ouse pensar em aposentadoria
Não admito meu armário, pra sempre, vazio
Tenho vivido anos em total calmaria
Atormente-me Sr Monstro, esse é o desafio!

E como já sabes, Sr. Monstro, eu cresci
Meu pai não virá espantar seus olhares medonhos...
Mas como de costume, desde o dia em que nasci
Por não haver pai, deseje-me o senhor mesmo os "bons sonhos!".


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

humilhação

E de repente me vi carente e gostando de estar
Te pedindo pra que me ofenda de todos os jeitos
Que fale comigo sempre, nem que seja pra falar dos meus defeitos
Pois se nunca lembras meu nome, quero que venha a me notar

Se existe algum possível esbarrão, não me importo em machucar
Posso andar em círculos sete dias, até enfim te acertar
E quando trombares e pisares no meu pé ou algo assim
Vou gostar que novamente na minha alma machuque em mim

Só não deixe de falar comigo por dez segundos que seja
Abro mão de dez dos meus anos se, espontâneo, me chamar
E se não falas comigo, quero ao menos que me veja
Se for pra não mais me ver, pode vir me criticar

Mal consigo descrever mais desgastante segundo
Do que aqueles tantos em que não consigo te prender
Mas se precisas viver por algum outro motivo no mundo
Saiba que, pra mim, qualquer motivo inclui você

Deixe-me ouvir por horas sobre algo que não quero saber
Pode falar sobre você até minha vida acabar
Adorarei que sejas o meu motivo pra morrer
E se ainda não sentires nada, então aprenda a me odiar

Aceito então assim qualquer tipo de sentimento
"Usado", "negativo" ou "pouco"; não serei de recusar
E se for "indiferença", também aceito, no momento.
Quero estar satisfeita com o meu dom de me humilhar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O poema da despedida

Os poemas fugiram há meses
Não sobrou uma só inspiração
Falta vontade por vezes
E por outras, falta emoção

As palavras se tornaram vida
Para alguém que só sabia escrever
E com a rotina comprometida
Não há espaço nem mais para ser

Houve então transferência da arte
Da expressão, do escrito ao verbal
Já não há emoção que descarte
A essência, que ainda é igual

Pois então, se me perco em mim mesma
E se penso não saber expressar
Peço ao mundo que tenha a destreza
De no cotidiano, assim, me ensinar

Despeço-me então de meus poemas
Sabe-se lá quanto tempo há de ausência
Por fim em outra arte encontrei, apenas.
O que me retorna à minha eterna essência.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Aos treze

Aqui está mais um ano, mais um poema e mais um pouquinho do meu amor pela prima/irmã/filha/amiga Maitê... Que eu vi crescer, ajudei a cuidar, aplaudi muitas vezes e apertei inúmeras outras.
Dizem que os treze são provavelmente o início da adolescência, ou auge da pré-adolescência, idade em que muitos se revoltam, passam a agredir quem mais amam e a lutar pelo seu lugar no espaço. Começam a viver em "sociedade" (suas mini sociedades) e sentem-se pressionados a agir uns como os outros.
Pois bem, se é dessa fase que estamos falando, sinto-me confusa ao perceber que, mesmo em meio a tantos problemas familiares e impulsos naturais a minha pequena admirável não tenha despertado nenhuma dessas características...
Talvez por isso ela seja A pequena admirável (já não mais tão pequena assim)...

Feliz Aniversário Maitê! Eis aqui mais um poeminha pra você...


Se os treze são enfim a idade da batalha
Confesso que não sei por mim mesma entender
Se na criação de meu anjo houve falha
Que a fez assim, perfeita, nascer;

Não há revolta, então posso agradá-la
Não há desespero, nem agressividade
E mesmo tão jovem em conflito se cala
Inspira uma paz que contraria a idade;

Não lhe interessam os grandes amores
Que jovens começam a (tão cedo!) seguir
A pequena ainda quase brinca com flores
E sabe que a vida deve somente fluir

Sem acompanhar "a tal sociedade"
Por vezes a bela é deixada pra trás
Sutilmente se faz ignorar a idade
Seguindo, com foco, os seus ideais...

A vaidade tão doce que lhe é aparente
Esconde sua doçura por trás dos panos
É mais do que honra conhecê-la realmente,
E assim são seus treze admiráveis anos.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

O jornal proibido


[Conto criado para a avaliação da disciplina de Didática, inspirado na peça que estou montando para meu TCC. "Terror e Miséria no Terceiro Reich", de Brecht.]

A jovem judia aguardava na fila do açougue enquanto arrancava incessantemente os fios soltos de sua blusa. Pensava nas horas como quem pensa na morte. Sabia que qualquer local público era claramente propício a um ato de violência naqueles tempos. Era "tempo de perseguição", declarava sua estrela azul numa faixa colocada em seu braço direito. O führer não a conhecia, mas a odiava, pois "é assim que gira o mundo", pensava ela, "em torno de guerras, conquistas, preferências e traumas sociais". Jamais cruzariam o mesmo caminho, mas eram inimigos. Ele a queria morta, sem saber de seus gostos, traumas, ideologias ou o que quer que fosse. Mas ninguém lia seus pensamentos, nem mesmo pela fisionomia, para sua sorte. Qualquer um pensaria que aqueles tempos difíceis haviam tornado uma menina tão jovem já apática e desinteressante. Mas não, a dor da jovem judia relacionava-se minimamente com toda aquela perseguição ao seu povo.

Havia ela, por volta de 1928, anos antes da perseguição aos judeus, tido um pai. E nisso ela pensava diariamente. Lembrava-se das canções infantis que havia aprendido com seu velho, horas antes de seu sono ainda tranquilo naquela época. Sabia que as poucas palavras que havia ouvido sair da boca do também judeu deviam-se ao seu cansaço pelo exaustivo trabalho na indústria de um amigo polonês. E, apesar das poucas palavras, seu pai havia deixado um eterno tormento na mente maquinante da menina: "Como pode alguém ser tão fiel a um mundo que não o merece?". Ao longo do tempo, a pequena haveria de descobrir que tal fidelidade de seu velho não se aplicava a todos. No ano de 1929, no auge de seus 8 anos de idade, a judia entendeu que o sofrimento era um presente; pois vinha seguido de superação, e como a menina adorava o sabor da superação! "Do abandono guardarei ensinamentos e das memórias de meu pai, que fique a admiração", determinou ainda criança.

Daquele tempo em diante a jovem aprendeu que de qualquer dor imposta pelo mundo, havia uma necessidade de se retirar algo que compusesse sua personalidade. E passou a lutar internamente com toda e qualquer sensação ruim. E naquela tarde, com o sol iluminando sua estrela no braço, a jovem sentia-se plena e disposta a enfrentar o monstro da guerra que estava por vir. Sentia-se forte. Sentia-se orgulhosamente abandonada. Sentia-se judia!
Quando, em desalinho com o universo, a vendedora a chama: "Próximo!". E a jovem caminhou, com seus passos de guerreira, encostando a barriga no balcão e pedindo sua peça de gordura. Pode ouvir, em poucos minutos um diálogo entre a vendedora judia e uma outra cliente, sobre um velho enforcado naquela mesma semana. "Os jornais não podem contar o que se passa na Alemanha! Foram até recolhidos e a firma foi tomada pelo governo!", afirmava a vendedora. "Tudo é progresso no Terceiro Reich!", concordava ironicamente a freguesa desconhecida. 
E naquele minuto, a jovem judia sentiu-se à vontade para perguntar discretamente "A senhora ainda não teria por acaso o seu exemplar? Gostaria de dar uma olhada!". (...) "Sim" - respondeu a vendedora à menina; "É este o tal jornal proibido.", sussurrou enquanto passava-lhe em um pequeno gesto pelo canto do balcão.

E se fosse uma foto do próprio führer abraçando um judeu, a jovem não se desestabilizaria tanto. Abaixo da manchete "Velho judeu solitário se enforca na manhã de domingo!" havia uma foto chocante do corpo de seu velho pai. Canções de ninar passavam brevemente pelo seu pensamento.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mergulho na morada do tempo

Texto encontrado entre papéis separados para reciclagem. Achei interessante guardar tais lembranças em um lugar mais organizado que o meu coração. Eis aqui um devaneio sobre meu retorno à banheira do quarto de minha avó. De 04 de abril de 2010, aos meus 17 anos, segue...

A mente. Morada do tempo. Procuramos tantas vezes no mundo externo sendo que seu óbvio refúgio é aqui, onde as horas não passam...

"Mãe, prende o meu cabelo bem forte!... Odeio quando as pontas molham!"

Mergulhei na banheira quente. Nunca tão quente quanto eu desejava, mas quente o suficiente para me remeter a milhões de lembranças.
Lembranças não!...
Lembranças são ferramentas que os amargurados usam para ilustrar a si mesmos os momentos que já passaram. A mim nada ainda havia passado, não ali.
"Vou refletir sobre o meu doce passado" pensei; mas logo afastei a ideia de "reflexão", pois se refletimos demais deixamos de ser crianças, e eu deveria SER criança acima de qualquer coisa para lembrar dos detalhes da melhor época da minha vida.
"Não vou pensar em nada!", como sempre costumava fazer durante meus banhos de banheira, minutos antes de colar meus olhinhos na televisão, na hora exata de meu programa infantil favorito.
Não vou pensar, não vou agir... Não vou chorar...
Onde estão as flores engraçadas dos azulejos?
Conforme crescemos a inocência nos é tirada e a criatividade nos é abafada ou apenas trocaram os azulejos do banheiro?
Droga! Prometi que não choraria!...
É intrigante como uma mesma figura pode muito bem representar duas coisas completamente diferentes conforme o mundo gira...
Agora chega! Estou pensando demais.
Quando criança eu tinha a virtude de questionar e agora me encontro em meio à doença de pensar para resolver?... Não, não quero.
Vou ser neutra como a água. Quente como a água.
Aliás, qual foi o momento em que o contrário de frio passou a ser sinônimo de sensualidade?
Chega! Vou parar de pensar, acho que é a deixa...
Saindo daqui vou dar uma passada no mundo dos desenhos. Não sei se vocês identificam, mas se bem me recordo, lá tem um animal amarelo que canta e parece um leopardo. Ele ainda pula e tem umbigo.
Nem Adão e Eva tinham umbigo e o Marsupilami tem. Vou até fingir que não tenho palpites a arriscar sobre o assunto, pois quanto mais falta o nexo mais minha infância fica pertinho do coração. Não quero explicações, quero saudades!
Em contrapartida não quero dar de cara com aquela menininha branca, de olhos enormes que foi brutalmente assassinada pelo tempo. Não quero chamá-la pois sei que corro o risco de defrontar-me com sua presença neutra e anti-reflexiva; e o que mais me amedronta: posso não me identificar com a tal pequena.
Vou então procurar minha humilde origem, o que me parece mais seguro... Mas não vou ousar explicar as diferenças, não desta vez. Isso pode soar um tanto adulto e terrivelmente doentio. Não quero sair do meu caminho, não agora que estou quase lá...
Não. Na verdade não estou quase lá. Sinto que não estou chegando a lugar algum. Estou apenas caminhando em uma linha torta de pensamentos, quando na verdade a intenção era apenas voltar.
O barulho da chuva até consegue criar o clima propício. Mas não me leva de volta!
A água quente simula um útero, e toda criança que se preze a adora. Mas também não me faz voltar.
Estou aqui parada esperando o maldito tempo me rondar até a hora da morte. Esse assassino estúpido checa cada atitude minha para ver se estou sabendo gozar de sua companhia. Antes eu mal me dava conta de sua existência e, agora que me vejo uma de suas vítimas, não posso alertar os outros sem ser classificada como louca sob respostas de "Sim, eu sei, o tempo está aí!" (...) Pois então não sabem de nada. O tempo não existe para se "saber que ele está aí", ele existe para ser sentido ou ignorado. E ignorado somente durante a insanidade.
Eu vou é para o mundo dos desenhos. Lá o tempo não passa e podemos voar em nuvens coloridas. Lá as pessoas não devem pensar demais tais questões tão "adultas" e corrosivas. Lá a água é simplesmente quente, sem muitas conotações e as flores dos azulejos sorriem para mim. Lá os azulejos simpáticos NUNCA são trocados. Lá não somos neuróticos, apenas criativos. É permitido sonhar, criar e chorar porque não queremos cumprir com as obrigações do dia. Lá não há tempo para nos preocuparmos somente com nossos próprios umbigos, pois no mundo dos desenhos infantis, há umbigos de leopardos amarelos que pulam dentre as árvores.
É lá que posso reclamar novamente cada vez que as pontas dos meus cabelos molham durante o banho.

"É tarde. E eu aqui nessa banheira deixando o tempo passar... Me espere tempo, vou passar com você!..."

Pedido a ela

Segundo meus registros numa folha rasgada que encontrei por aqui, esse poema foi escrito no dia 11 de março de 2010.

Ave guerreira, mártir da paz
Quero de volta a fé que já tive
E a serenidade que ainda vive
No cândido olhar que o sonho me traz.

E assim levando minha vida plena
Quero a pureza de sua dor.
Embalando o destino de seu amor
Espero o fim dessa minha cena.

Ainda que morra e o mundo chore
Evite que minh'alma fraca implore
Pela presença do corpo ausente.

Menina Maria, anjo sagaz
Meu ser implora pela sua paz
Sem mais confissões em meu tempo presente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cilada cirandinha



Ciranda cirandinha
Vá tu cirandar sozinha
Dê sozinha a meia volta
E a volta-e-meia que era minha

Pois quem quebra meu anel
E ainda julga ser de vidro
Merece mesmo um amor quebrado
Pouco, e mal esculpido!

Encontre alguém pra reclamar
Do meu vidro, do céu ou da lua
E entregue sua merda de anel
Pra ladrilhar com os brilhantes da rua.

domingo, 27 de janeiro de 2013

disputa...


Aline se apaixonava por todo menino que Natalia gostava.
Natalia deixava quieto, pois eram amigas de infância.
Um dia Natalia se encheu e passou a gostar de meninas.
Aline, para irritar, também passou a gostar de meninas.
Elas se casaram. Aline perdeu o jogo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Quintal

Eu vi, de relance, e sem formas muito especificas, minha pequena escolinha.
Vi minha mãe numa sala próxima,
E fugi, pra assistir as aulas dela.

Eu vi, de relance, uma menina problemática,
Mastigava seus próprios fios de cabelo
E se chamava Milena

Eu vi, de relance, alguém indo me buscar,
Vi pipocas rolando no carro
Vi a noite chegando
Vi a caminhada ao luar
Vi brincadeiras
Vi a janela
Vi as estrelas
Vi as orações

E eu vi, já tão nítido, o tempo querendo passar
Em passos leves, pra não me acordar de um sonho feliz e infantilmente eterno
Mas eu vi... E, de relance, perdi o meu próprio olhar.