O tempo passando doce
O tempo passando doce me apaga a memória da poesia. Como se a tarde quente me desviasse o olhar do inferno. Eu tomo o meu café corrido, na certeza de que tenho amor.
É estranho. A poesia me faz falta, mas nem sempre busco esse lugar de refúgio. O silêncio repousa onde não há fuga.
Antes de dormir fico pensando se é assim que é a vida. Assim passam as pessoas que amam: com seus sonhos e seus cafés corridos, sem pensar na dor que faz poema.
Eu não tropeço no existencialismo quando sopra a vontade de viver mais.
Eu olho pro meu amor concreto. Deito mais perto e o dia já acabou. Não há poesia que resuma quão grande é viver assim.
Depois eu acordo outra vez sem poema, enquanto a vida não é problema. Só um tempo doce e amor.
24 de outubro de 2025.