Assim eram as manhãs
Assim as manhãs eram: minha avó fazendo o almoço devagar ao som de Simonal. A panela de pressão cantando junto. O sol invadindo pelas frestas das portas imensas, como a felicidade. Meu avô chegando do mercado com uma sacola grande e amarela. Às vezes eu ia com ele, parando de banca em banca, mostrando: "É minha netinha, pergunta a ela que time ela torce!". O mercado municipal de Taubaté foi o lugar onde eu vi mais sorrisos concentrados por metro quadrado na minha vida. Quando eu ia com meu avô, às vezes, ele comprava peixe. Em casa, minha avó seguia no samba, enquanto eu brincava com os peixes na bacia. Ela me deixava brincar com os peixes na água e gelo até a hora de cozinhar. Depois, meus amigos eram fritos. Eu ficava triste. Mas, de alguma forma, minha avó me explicava as coisas de um jeito mais simples. Um jeito que eu não consigo entender desde que ela e meu avô se foram. Meu avô tinha um radinho de pilha que eu encontrei enquanto arrumava as coisas dele, agora de luto...